segunda-feira, 19 de março de 2012

O FASCÍNIO DA MULHER

(Três Pássaros, quadro pintado pela autora em 1999)

Com encanto natural
Sensibilidade e ternura
Eis a mulher corajosa
Que mesmo débil e franzina
Impõe com graça e candura
Sua força e energia
Com plena formosura.

Desde muito pequenina
Ela encanta e fascina
Com sua graça cativante.
Do mais jovem ao idoso
Não há homem corajoso
Que não se renda ao feitiço
Dessa jovem fascinante
Ao encanto maravilhoso
Desse ser tão radioso
De ar sereno e triunfante.

Mui esperta e resoluta
Ela se torna mulher
E, como uma leoa,
  
Ela trabalha, ela luta,
Dando carinho e amor
Aos que dela se aproximam
E com ela compartilham
Esta vida de labuta.

Ser mulher, é ser doçura,
Coragem e afeição,
É a beleza e a ternura
Que todo o homem procura
Neste mundo de imperfeição.

Ela é mãe acolhedora,
Amante mui carinhosa
Amiga incondicional
Doce, meiga e cuidadosa.

Tratemos bem desse ser
Com que Deus nos presenteou
Para termos ao nosso lado
O presente mais desejado
Que o homem almejou.

Maria Sá
18-03-2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ser mulher!...



Ser mulher, é ser flor,
Neste jardim encantado
Que pela mão de Deus foi criado
Para, junto com o homem,
De mão dada e com amor
Para um ao outro ajudar
Criar um mundo sem par
Vivendo em harmonia
Lutando com muita energia
Pr’as dificuldades enfrentar
Num abraço, pleno de amor,
Gozando a beleza e perfume
Que só ela pode exalar.

Mas, tal como a flor,
Que requer muita atenção,
Carinho e devoção
Para nos inebriar
Com sua beleza e odor
Também ela precisa
De carinhos e de afagos
Para poder desabrochar
Em todo o seu esplendor.

Se assim for tratada
Qual flor especial
Ela se transformará
Numa jóia preciosa
Onde o homem beberá
Todo o amor e saber
Que sempre almejou ter.

Tal como um jardim florido
Tratado com muito carinho
Extasia o nosso olhar
Pela beleza que irradia
Também o homem terá
Todo o perfume e sabor
Que só uma mulher em flor
Lhe pode proporcionar.

Por isso, demos as mãos,
E, com todo o nosso amor,
Criemos este jardim sem par
Onde juntos construamos
Um mundo de harmonia
Com muito respeito e carinho
Para vivermos felizes
Mesmo tirando escolhos
E juntos, tu e eu,
Nos debrucemos os dois
Para limpar este mundo
Das agruras e defeitos
Que nos impedem de viver
A felicidade desejada
Que não é só alegria
Mas a harmonia serena
De vencer com força e coragem
Toda esta luta constante
Do viver do dia a dia.

Maria Sá
8/3/2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O circo da vida

Nesta arena do viver,
Neste circo do sofrer,
Que se ouça o som da música
Num passe doble animado
Numa fonte de prazer.
E vivamos neste circo
De ilusão permanente
Quer sejamos apresentadores
Bem vestidos, bem falantes,
Ou contorcionistas
Nestas reviravoltas constantes,
Equilibristas
Nas cordas bambas deste viver,
Malabaristas oportunos
Manipulando os incautos,
Trapezistas voadores,
Ilusionistas afamados,
Palhaços muito engraçados,
Bailarinos ou domadores.
Neste palco do viver
Alegremos este circo
Vivendo na ilusão
Da felicidade procurada
Mas, dificilmente encontrada,
Neste rodopio constante
Desta música fascinante
Que nos envolve e atira
Para a roda desta vida
Numa luta extenuante.

E, quando o coração chora,
De amargura e cansaço
Pintemos o nosso rosto
Com a cara do palhaço
Sorridente e bem disposto
Ainda que as lágrimas caiam
Em fio, no nosso regaço,
Misturadas com os risos
Os soluços e os abraços
Que recebemos nesta vida
De agonia, dores e cansaços.

27/02/12

Maria Sá

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Busca

Dia de sol radioso!
O mar, de um cinza anilado, pincelado a oiro e prata pelo sol da tarde, com leves ondas de espuma branca, permanece impávido e sereno à busca da jovem mulher, curvada sobre a areia.
Com um pequeno pau na mão, lá vai mexendo e remexendo, em busca do seu tesouro.
Que procura ela com tanta sofreguidão?!
Uma jóia perdida, uma moeda enterrada na areia húmida ou simplesmente um beijinho ou um búzio, lançado na praia na maré alta?
Senta-se e continua  afanosamente a sua procura desenfreada…
Nada encontra!...
Levanta-se, estica as costas cansadas e dobra-se novamente pesquisando todos os meandros do areal.
Aninha-se, para conseguir visualizar o tesouro escondido nesta areia infinda semeada de toda a espécie de restos de conchas e detritos.
Uma gaivota parada junto ao mar, olha curiosa para esta mulher que, com tanto afã dedica o seu tempo a uma procura infindável.
E ela, lá segue junto à rebentação das ondas…
E… que vejo eu?!
Um homem, de boné na cabeça, junta-se a ela naquela busca insana e, os dois curvados, mexendo e remexendo na areia, em busca sabe-se lá de quê.
Do pão do seu sustento, de uma preciosidade perdida, de uma concha especial ou única e simplesmente a busca infinda do passar do tempo debaixo de um sol morno de inverno ou, quem sabe, apenas uma pequena lembrança levada deste areal dourado, beijado pelo calor do sol de Janeiro, nesta linda praia da Póvoa de Varzim?!...
E eu, aqui sentada, à mesa de um café, vou também passando o meu tempo escrevendo sobre nada e dizendo quase tudo.
Há momentos felizes, passados em busca de nada e encontrando tão pouco, mas repletos de uma calma incomparável e do aproveitar sereno da nossa existência.

10/1/2012
Maria Sá

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sorrisos


Sorrisos ternos
Emocionados, meigos
E, quantas vezes, acompanhados
De lágrimas de alegria
Qual gota de orvalho
Ao raiar dum novo dia.

Sorrisos de troça,
Zombeteiros,
Amargos e traiçoeiros
Carregados de ironia
Que nos magoam e maltratam
Descarregando em todos nós
Uma onda de agonia.

Sorrisos francos
Rápidos, mas reconfortantes,
Sorrisos de esperança
Tantas vezes hesitantes
Mas com muita cumplicidade
Transformando esses momentos
Em clarões de felicidade.

Sorrisos deslumbrados
Plenos de egoísmo
Acompanhados de trejeitos
E gestos de desdém
Ridículos, frágeis,
Sem vida, sem amor,
Estudados e usados
Como poção envenenada
De puro narcisismo
Sem respeito por ninguém.

Sorrisos condescendentes,
Conciliadores, amigos,
Partilhados com carinho
Com o irmão sofredor
Dando-lhe alento e afecto
Para viver esta vida
Com muita fé e amor.

Sorrir… Sorrir…Sorrir…
Com todo o nosso ser
Gerando em nosso redor
Uma explosão de prazer.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Palavras


Palavras usadas,
Murmuradas,
Ditas com amor
Ou com ironia,
Lançadas como espadas,
Torneadas, requintadas,
Azedas
Ou simplesmente lançadas
Para provocar agonia.

Palavras ternas
Saídas do coração
Que soam como sinfonia
E nos enchem de alegria.
Palavras de afeição
Ou de falsa emoção
Usadas com habilidade
Para convencer nosso irmão
A fazer o que queremos
Mas plenas de falsidade
E de pura ilusão.

Palavras gritadas,
Enraivecidas,
Proferidas com rancor
Atingindo o nosso ser
Como flechas envenenadas
Deixando-nos tristes,
Angustiados, feridos,
Arrasados,
Reduzindo-nos ao desespero
Ao desconforto
E ao terror.

Silêncio!...
Reflexão!...
Usar palavras?!
Sim,
Mas de amor e saudação.
Palavras que encham de paz
Harmonia e bem-estar
Quem de nós se aproxima
E a quem chamamos de irmão.



Maria Sá
05-12-2011

Felicidade, onde estás?


Felicidade, onde estás?
Perguntais no dia a dia
Ansiosos e frustrados
Por ela ser tão fugidia.

E ela,
 Qual criança irreverente
Espreita e ri-se baixinho
Mas, sempre airosa e contente,
Vai-se escondendo mesmo ali,
Junto a vós,
Qual ratinho
Bem maroto e atrevido,
Espreitando docemente
Com aquele ar insolente
Mas bastante divertido.

E vós, pobres mortais,
Que nem para ela olhais,
Correis por todos os cantos
Buscando, com sofreguidão,
O que ao vosso lado está
E que, nessa confusão,
Pensais logo conseguir
O que está na vossa mão
E só vós podeis construir.

Ninguém feliz vos fará
Se não a tiverdes já
Dentro do vosso coração
E, de vós,
Deixardes emanar
Todo o amor e alegria
Que ela própria irradia
Através do vosso olhar.


14-11-2011

domingo, 6 de novembro de 2011

TALVEZ…


Talvez…
Um dia…
Sim… Talvez!...
O Homem consiga entender
Que, para ser feliz,
Não precisa de muito ter
Não é por num palácio viver
Que a alegria virá
Nem por andar a passear
Num carro topo de gama
Que a felicidade encontrará.

Sim… Um dia…
Talvez…
O Homem consiga acordar
E ver, sem sequer olhar,
Que a beleza dum ser
Não está em bem parecer…
Mas, se no seu interior,
Muito amor tiver pr’a dar
E com todos o partilhar
Fazendo deste universo
Um mundo de harmonia
Com todo o encanto e magia
Que o Homem quer conquistar.

Tudo será simples e belo
Sem tabus,
Sem preconceitos,
Sem mentiras e ambições,
Que destroem
O que de mais belo
Há nos nossos corações.

Sim!...
Talvez… Um dia…
Todos consigamos dar as mãos
E nos abracemos como irmãos.

7/11/2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

OS SEXAGENÁRIOS


As notícias nos jornais são bem evidentes do quão pouca importância é hoje dada às pessoas com idades a partir dos sessenta anos.
Vejamos certos extractos dos diários do nosso Portugal:
Um sexagenário foi atropelado…
Foi assaltado um casal de sexagenários…
É assim!...
A partir dos sessenta anos perdemos a identidade, deixamos de ser úteis, somos tratados como uma antiguidade que se guarda mais por respeito aos nossos antepassados que um bem precioso que partilhou connosco a sua vida, nos dedicou o seu tempo e mocidade, se aniquilou centenas de vezes em nosso favor, que nos escutou com atenção quando precisámos de desabafar, que deixou passar o seu tempo de saúde e força usando-as em nosso proveito…
E agora?!
É apenas mais um sexagenário que anda neste mundo só a atrapalhar pois já não trabalha, não produz, não faz nada de útil pois está completamente ultrapassado.
Para quê escutá-lo e beber a sua experiência de vida, se a televisão tudo ensina e a internet está ao nosso dispor?!
Esquecemo-nos, no entanto, do amor e carinho que “o velho” transmite nos seus ensinamentos, a emoção que põe nas suas histórias apaixonadas e o equilíbrio conseguido pela experiência de uma vida vivida, pela luta constante na resolução de problemas e que só ele consegue imprimir no seu relato de um facto vivido.
Com a evolução,” os velhos “ são considerados coisas sem préstimo e que ainda não são eliminados porque a lei não o permite. São, no entanto, postos em contentores (os lares de idosos), não para reciclagem, mas para dar oportunidade aos jovens de trabalhar, viver, gozar a vida.
Parece impossível como evoluímos tanto no campo da ciência e tanto regredimos no dos sentimentos humanos!
A maior parte das pessoas, a partir do momento em que são avós são usadas como amas dos netos sendo, no entanto, várias vezes recriminadas pelas suas atitudes de benevolência ou até mal compreendidas quando pretendem ajudar a educar estabelecendo regras e condutas de ética social.
Se, pelo contrário, os avós são suficientemente sabedores para ensinarem inúmeras coisas, são ainda vistos como algo a evitar, pois poderá acontecer que as crianças descubram que os mais velhos têm valores e sabedoria que poderá ultrapassar em vários aspectos os dos seus progenitores.
Na realidade, voltamos outra vez à era em que se levavam os pais ao monte e aí os abandonavam à sua sorte. Hoje, para ficarmos com a consciência descansada, arranjamos-lhe bons lares (quase hotéis de 5 estrelas) mas despidos de amor familiar e do carinho dos mais novos ficando ambas as gerações prejudicadas pela falta de interacção entre as crianças e os “velhos” que tão frutuosa se mostrou durante séculos e onde ainda é praticada entre os povos de elevados sentimentos humanos.
Ter “ velhos” em casa é ter uma enciclopédia de vida, de amor e sentimentos que nada nem ninguém poderá substituir.

26/10/11

domingo, 23 de outubro de 2011

VELHICE


Estou velha?!
Velha?! Eu?!
Como posso estar velha
Se gosto tanto de viver?!
Cansada!...
Talvez!...
Mas velha?!
Não, isso não!
Podeis crer.

Gosto de dançar,
Nadar e escrever…
Às vezes pinto
Um quadro harmonioso
Que guardo com prazer.
Sei um sem número de coisas
E ainda espero muitas outras aprender.

Então, por que me chamam de velha,
Se dentro do meu coração
Ainda há tanto querer?!

Velho,
 É aquele que se cansou de viver,
Que passa pela vida sem nada fazer,
É o pessimista que na noite
Só vê o breu,
Sem nunca vislumbrar
O veludo do céu.

17/10/2011

LAR… DOCE LAR!...


Lar!...
Casa!...
Família!...
Amor, partilha, doação,
Viver com afecto
Carinho e compreensão.

Lar!... Depósito!... Armazém!...
Tentar viver os últimos dias
Sem amor, sem carinho,
Sem afeição de ninguém.
Partilhar um espaço
Com todos os “velhos”
Que os filhos guardaram,
Abandonando-os com certo desdém.

Já não prestam,
São chatos, aborrecidos,
Contam a mesma história
Vezes sem conta ,
Num vaivém.

Há anos atrás,
Eram os filhos pequenos…
E perguntavam, perguntavam,
Vezes sem conta,
A mesma coisa também.
O pai, paciente,
Explicava, contava, descrevia,
A mesma coisa , no mesmo vaivém.

O tempo passou,
O filho cresceu…
A história repete-se
O pai, envelheceu,
Mas o filho já não tem
Tempo nem carinho,
Para ouvir a história
Que o “velho” conta
Neste vaivém.

18/10/2011   Maria Sá

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A ternura do amor


Como eu te queria dizer
Quanto é belo este mundo
O quão bom é o viver
Se o nosso coração
Está feliz e em paz
E deixamos fluir
Todo o amor que guardamos
E com lágrimas o regamos
Para ver depois florir
Em lindas corolas multicores
No jardim do nosso ser
O fruto dos nossos amores.

Tu querias ser feliz
Mas como poderias sê-lo
Se por mais que me ames
Nunca consegues dizê-lo?

Não podes ser narcisista
Ditador ou egoísta;
Tens sempre de acreditar
Que em todo o ser humano
Sempre poderás encontrar
Algo de belo ou insano
Onde sempre aprenderás
Que há algo a respeitar.

Verás, que muito em breve,
Se deixares germinar
Dentro do teu coração
A semente do amor,
A felicidade virá
E o jardim do teu ser
Terá sempre o perfume
A candura e a beleza
Duma planta em flor.

23/08/2011
Maria Sá

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Póvoa de Encantos Mil


Póvoa de encantos mil
Do lindo céu anilado
Do azul e imenso mar
Do homem forte e viril
Que com coragem e vigor
Enfrenta no dia a dia
Este mar tão prazenteiro
Sem pensar e sem temor
Que se pode em breve tornar
No túmulo mais traiçoeiro.

Sempre, sempre a navegar
Lá vai o pescador poveiro
De velas soltas ao vento
Sulcando o lindo mar
Buscando no meio das ondas
O cabaz do seu sustento.

E, na praia, lá está
Sua tricana poveira
Rezando à Virgem Mãe
Que o traga são e salvo
De novo, pr’a sua beira.

Tricana Poveira


Olha a linda tricaninha
Vestida de alva blusa
Mãos na cinta
Face erguida
Mui radiosa e altiva
Pr’o pescador,
Uma musa!

De cabelo ondeado
Preso atrás,
Bem penteado,
Com seu avental garrido
Bordado bem a preceito
O sapato alto e preto
De brilhantes enfeitado
Batendo bem o tacão
Com graciosidade e com jeito.

Lá vai ela, bem trigueira
E com um ar confiante
Exibindo com galhardia
A beleza e a ousadia
Da linda mulher poveira.

Hino à Póvoa


Póvoa!
Férias!
Mar azul!
Passeatas ao luar…
Ver cair o pôr-do-sol
Lá longe… por trás do mar!

Sol!
Areia!
Água fresca!
Passeios à beira mar…
Gaivotas soltando gritos
Lá no céu a esvoaçar!

Ouvia-se a ronca da Póvoa,
Havia nevoeiro no mar!
Ao Garrett ou ao Póvoa-Cine
Toda a malta ia parar.

E, se o vento soprava,
Lá do Norte, sem parar,
Era certo que à Junqueira
Todos iam passear.

Lá tinha lojas de modas
Ourivesarias e bares,
Sapatos, brinquedos e doces,
Para a todos agradar

E assim eram as férias
Nesta Póvoa tão faceira;
Mesmo em dias de chuva,
Íamos todos à Junqueira.

Com estas recordações
Tão belas da mocidade,
Abracei a linda Póvoa
Vim viver nesta cidade.

Maria Sá

15/06/11

Sonhos Brancos


Eram brancos
E voavam… voavam…
Pairavam no ar
Felizes planavam
Tão rentes ao mar.

Seriam pombas,
 Gaivotas ou nuvens?
Ou apenas sonhos
Perdidos no ar?!...

Meus sonhos brancos
Meus gritos de dor
Ecoando, bradando,
No meu peito a gritar.

São falsos sorrisos;
Felicidade vã;
São mágoas,
São dores,
Que teimo em guardar.

26/10/2010