terça-feira, 2 de agosto de 2011

Muito obrigada, meu Deus

A Ti, que por mim zelas,

Eu quero agradecer

Toda a vida que me deste

Todas as gargalhadas que eu dei

Todas as lágrimas que chorei

Todos os momentos que vivi

Todos com quantos me cruzei

E com eles aprendi

Pela família onde nasci

Pela educação que me deram

Pelo muito que sofri

Pelas sementes que semeei

Pelas pessoas que encontrei

Por todas as que me ajudaram

Por aquelas que me invejaram

Por todas as que me maltrataram

Um obrigada Te dou.


E, como sempre acreditei,

Na tua poderosa afeição

Com muita humildade aceitei

E com muita resignação

Todos os momentos da vida

Que me permitiste viver

E com eles aprender

A ser a mulher que hoje sou.


E, com toda a gratidão,

Desta vida tão plena

De alegria

Dores

Sentimentos e emoções

Momentos de euforia

E de sofrimento atroz

Me ajoelho a Teus pés

E grito a plenos pulmões

Muito obrigada, ó Meu Deus.


Maria Sá

1/8/2011

Neblinas matinais

Acordo!...

O mar calmo e imenso

De um cinza prateado

Envolto em neblina

Espera por mim.


Ao longe, nos rochedos,

Descansam as gaivotas

Salpicando a penedia

Envolta em branca espuma

Destas ondas caprichosas

Que brincam em cabriolas

Por entre as rochas escuras

Qual criança inocente

Mas bastante irreverente.


Pouco a pouco

O Sol brilha

Rompendo com o seu calor

A densa bruma cinzenta

Que mantinha este mar

Num sono acolhedor

Como que a chamá-lo baixinho:

São horas de acordar…

Abre os olhos de mansinho

E se vai espreguiçando

Neste imenso areal…


E com ternura e carinho

Vem beijar a bem amada

A linda areia dourada

E o Sol, com o seu calor

Vem despertar o amor

Dos amantes enlaçados.


Maria Sá

1/8/2011

O feitiço da Póvoa

Será o teu mar imenso

O anilado do teu céu

As gaivotas a voar

O teu cheiro a maresia

O pescado fresco a saltar

As varinas a apregoar

Que sempre me encantaram

E me fizeram cá voltar?


Será este areal sem fim

O nevoeiro matinal

Este mar que ora é lago

Ora é fera indomável

Que em espuma se desfaz

Galgando o imenso areal

O vento Norte impiedoso

Que quase me faz tombar

Me irrita e me atrai

E sempre me faz voltar?


Diz-me, Póvoa,

Que feitiço tu escondes

Que ora amo, ora odeio,

Que com a tua doçura

E com o lindo pôr-do-sol

Me atrai e me seduz

Para eu sempre cá voltar

Para eu viver da tua luz

Da beleza do teu mar

E a felicidade encontrar?


É esta paixão que sinto

Por esta terra de extremos

Onde me deixo embalar

Qual barco a navegar

Ou, que em dias de tormenta,

Me obriga a enfrentar

Com coragem e ousadia

Esta vida de emoção

Esta luta do dia a dia.


Maria Sá

1/8/2011

sábado, 2 de julho de 2011

Momentos de felicidade

Que lindo é o mar

No seu azul sem fim!...

Algas, corais, peixes, conchas,

Numa beleza sem par!...

E, no lindo céu azul,

Mil gaivotas a voar.


Como é bom vê-las tão calmas

No seu voo planado;

Com olhos fixos no mar

E, em seus voos picados,

Mais um peixito encontrar.


É luz!

É cor!

É beleza natural!

Felicidade encontrada

Na beleza das gaivotas

E no anil do mar.


Vida simples, sem ambição,

Sem vaidades, nem esplendores;

Espraiando o nosso olhar

Ouvindo o mar nos seus rumores.


Como é bela a natureza!


Quanta cor

Quanta alegria

Poderemos encontrar

Se pararmos para reflectir

Se pararmos para olhar

E ver, em nosso redor,

Este mundo de magia

Esta beleza do mar!...


29/06/2011

domingo, 10 de abril de 2011

O SOL DAS NOSSAS VIDAS

_ Mãe! Mãe!_ grita a pequena Joana.

A mãe acorre aflita pois aquele grito é de dor, de aflição. Pega na Joaninha, limpa-lhe o joelho ferido, fala-lhe com carinho enquanto vai buscar o desinfectante e, explicando-lhe que vai arder um bocadinho, faz-lhe o tratamento. Por fim, dá-lhe uma beijoca na face rechonchuda e cheia de ânimo, diz-lhe:

_ Pronto, Joana. Já estás outra vez nova para brincar. Vai, que isso já passa.

……………………………………………………………………………………….

A Joaninha cresceu, tornou-se mulher.

Sente-se só, triste, desamparada. Já não é a Joaninha rechonchuda. O seu corpo vai ganhando forma e ela acha que já não deve chamar a mãe. Está alta, esguia, o seu corpo sofre transformações que nem ela própria compreende.

_ Já sou mais alta que a minha mãe?!

Aquela cabecita efervescente é como um vulcão prestes a explodir. Vai para junto do espelho e há que experimentar todas as maquilhagens, todos os penteados e, quando a mãe vem e lhe diz que exagerou no baton, ela vira as costas e, indignada, grita:

_ Deixa-me em paz! Ufa!

E, de amores e desamores a vida vai-se desenrolando...

……………………………………………………………………………………….

Joana cresceu e já vai casar. O primeiro filho aparece e a mãe tenta ajudar...

Joana cansa-se. Já está farta de aturar a mãe...

E, todos nós já sabemos as alegrias e tristezas que esta relação tão íntima vai gerando.

No entanto, se observarmos a Natureza, veremos como tudo se devia processar.

O Inverno está a acabar...

O Sol, que muitas vezes se escondeu por trás das nuvens, começa a brilhar com mais intensidade e as sementes germinam, crescem e, em breve, se transformam numa bela planta.

As flores desabrocham em múltiplas cores.

O Sol aquece mais e afaga-as com seu calor morno. Em breve brotarão os frutos e, com mais intensidade, ele incide seus raios para os amadurecer. Quando os frutos estão suculentos, prontos para gerarem novas vidas, o astro rei abranda os seus raios e começa a esconder-se por trás das nuvens. Vai dando lugar aos ventos, às chuvas, às tempestades. Aparece de vez em quando, a aquecer as árvores quase despidas. Mas, cada dia, se afasta mais. Já só aparece de vez em quando. Mas, está lá, tentando passar desapercebido.

Quando a terra está ensopada pelas águas das chuvas ou coberta de neve, lá vem ele e, com seus raios quentes, acalentando-a novamente para que o ciclo da natureza se cumpra.

Sejamos nós também como o Sol da vida dos nossos filhos, mas sabendo-nos esconder por trás das nuvens, quando é preciso. Estamos lá vigiando com prudência mas sem incidir nossos raios fortes assiduamente.

Deixemo-nos estar lá, pacientemente, deixando os nossos filhos percorrer a vida deles. Não os abafemos com o calor excessivo do nosso amor, pois corremos o risco de os transformarmos num deserto árido.

Habituemo-nos a observar a Natureza para transpormos para a vida todo o seu saber.

Sejamos o sol da vida dos nossos filhos, mas não os sufoquemos. Eles precisam de crescer e enfrentar as tempestades da vida e aprender a sobreviver a elas.

Tenhamos a coragem de os ver sofrer, para termos a alegria de os ver vencer.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A FLEXIBILIDADE DO BAMBU

Nos tempos que correm, esquecemo-nos frequentemente que somos uns meros membros da Natureza.

Tenhamos a flexibilidade do bambu e o seu bom senso para nos agruparmos, criando elos indestrutíveis e que, só em caso de violentas tempestades nos poderão arrancar.

O bambu é frágil, mas extremamente maleável. Curva-se em reverência quando os ventos sopram fortes e apoia-se suavemente no colo dos seus irmãos para, em conjunto, resistir às tempestades.

Criemos famílias sólidas, com elos de amor e, veremos os débeis “bambus” que nós somos, a resistir inabalavelmente às situações mais críticas e desconfortáveis que a vida nos proporciona.

Juntemos também os bons amigos, aqueles que estão connosco (quer nas horas boas, quer nas más) e plantemos nos jardins das nossas vidas, “os bambus” que nós iremos proteger pela vida fora e que também nos protegerão quando essa ajuda solicitarmos.

Na nossa prepotência de homens modernos, pensamos que, com a ciência, tudo podemos fazer.

Mas, a Mãe Natureza, com todo o seu amor mas com a mão firme de uma verdadeira mãe, lembra-nos, atempadamente, que nos pode destruir se não a respeitarmos. Cada vez são mais frequentes os desastres ecológicos, a irreverência dos cataclismos climáticos, a destruição total ou parcial de cidades inteiras em que “Ela” nos mostra o seu pulso de ferro.

Seguidamente e, como qualquer mãe que se preza, vem acalentar-nos com o calor morno do sol, a beleza do céu azul, a suavidade das suas águas correntes e o perfume das suas flores.

E que fazemos nós, pobres e irresponsáveis mortais?

Ao contrário de aprendermos com os nossos erros, vamos uma vez mais, desesperar a sua infinita e maternal indulgência, passando por cima de tudo e de todos, para satisfazermos insaciavelmente o nosso egoísmo, a nossa sede de ambição e tirania.

Mas… a paciência tem limites e, não será de admirar que, num futuro não muito longínquo, ela chegue à conclusão que não somos dignos do seu afecto, do seu respeito e, muito menos do seu amor inesgotável que tão gratuitamente nos oferece.

Habituemo-nos a meditar uns minutos por dia nesta verdade que tentamos ignorar e, tenho a certeza que a felicidade que todos buscam sem cessar, passará a fazer parte do nosso dia a dia, tornando tudo mais harmonioso e duma beleza sem par.

9/10/2010

Maria Sá

Antes e... Depois

Sempre fui fascinada por decoração. Acho lindo darmos “alma” ao nosso lar, nem que seja uma simples barraca.

Na SIC MULHER há um programa fabuloso “Querido, mudei a casa” onde se fazem maravilhas com a decoração. E, o programa, acaba com antes e depois.

Creio que os fãs deste programa ficam encantados com o resultado final.

No entanto, ponho-me a pensar se estamos a fazer o mesmo com a nossa vida.

O Homem, através dos tempos, sempre tem tentado evoluir e fazer com que o “depois” seja sempre muito melhor que o “antes”.

Agora, neste momento, em que já me encontro no Outono da vida, reparo, com amargura, que o “depois” está a ser mil vezes pior que o “antes”.

Se a paciência não vos falta, meditem comigo:

“Antes”: as crianças e os jovens eram educados a respeitar os mais velhos, a terem comportamento exemplar quer na rua, quer no aconchego do lar.

“Depois”: A grande maioria das crianças não têm qualquer respeito pelos pais e, muito menos pelos avós, pelos vizinhos, pelos professores, enfim, por nada nem por ninguém.

“Antes”: Os jovens estudantes eram preocupados com o seu vocabulário, raramente se ouvia um rapaz a dizer um palavrão junto das meninas e, as raparigas do meu tempo, tinham um comportamento recatado e um vocabulário cuidadosamente elaborado.

“Depois”: Os grupos de jovens já não sabem exprimir-se sem os ditos palavrões e, as meninas, fazem jus ao seu pobre vocabulário e, acham até, que seria um contra-senso não aplicar essas palavras hediondas, pois não seriam as futuras mulheres independentes e com todos os direitos inerentes ao século XXI.

Que tristeza!...

Que aberração!...

“Antes”: os homens adultos coibiam-se de aplicar certos termos em frente de uma senhora.

“Depois”: eles usam os termos mais sórdidos para se exprimirem e perderam o encanto de serem corteses junto das suas mulheres. Bem, devo confessar que não é de admirar, pois elas, na sua modernidade, são incapazes de respeitar os seus companheiros.

“Antes”: as meninas eram ensinadas desde pequeninas a costurar, a cozinhar, limpar a casa, bordar e muitas outras coisas que iriam contribuir, mais tarde, para o bom funcionamento do lar.

”Depois”: as miúdas já não sabem pegar numa agulha, cozinhar também não é preciso pois vai-se ao take-away, limpar a casa, só se não houver quem o faça, pois, as mães, passaram de educadoras a empregadas dos filhos. E bordar?! O que é isso? Uma coisa dos outros tempos e que seria absolutamente ridícula nesta sociedade do século XXI.

Poderia ficar aqui a dissertar por horas a fio mas, creio que estes poucos e simples exemplos, já sejam suficientemente esclarecedores sobre a sociedade que estamos a construir.

Os nossos antepassados esforçaram-se por nos passarem os seus valores morais. E, que fazemos nós?

Abdicamos do nosso dever de educadores, passando para os meios áudio visuais essa missão ou convencemo-nos que, na escola, eles aprenderão tudo. Não sem lembram, porém, que os professores têm um programa para dar e dele não faz parte a boa educação. No entanto, honra seja feita aos professores que ainda conseguem despender do seu tempo para conseguirem transmitir aos seus alunos alguns comportamentos básicos da boa educação.

Lamentavelmente depressa são esquecidos ou, pior ainda, vêem os encarregados de educação tirar satisfações com o professor, pois está a insinuar que eles não sabem educar.

Enfim…é este”depois” que estamos a ter e que me faz ficar apreensiva em relação aos meus netos que, graças a Deus, ainda vão tendo um comportamento bastante satisfatório. Mas, que companheiros irão encontrar no futuro para formarem os seus lares? Ou qual vai ser o nível de educação deles quando se embrenharem numa universidade e deixem de ter a atenção dos pais?

Sabemos, por experiência, que se pusermos uma maçã podre à beira das sãs, em poucos dias todas estarão podres. Será isso que irá acontecer aos meus netos e aos netos de todos os avós deste país?!...

Triste realidade!...

Antes…

Depois…

Esperemos que, tal como no “Querido, mudei a casa” o “depois” seja bem mais belo que o “antes” pois, caso contrário, a sociedade vindoura odiará os educadores que tiveram e não os souberam preparar para a vida.

Maria Sá

Sonhos

A vida é feita de sonhos.

No caminho que calcorreamos diariamente, vamos idealizando aquilo que gostaríamos de ser ou ter, enfim, um sem número de sonhos com que vamos alimentando a nossa existência.

Lutamos, trabalhamos, esforçamo-nos ao máximo para podermos concretizar e, muitos outros, são destruídos pouco depois de alcançados.

Apesar disso, há em nós uma necessidade de irmos acreditando nos nossos sonhos, embora a maior parte deles ser um verdadeiro fracasso nas nossas vidas; ora porque nunca os conseguimos realizar, ora se esvaem por entre os dedos como os grãos de areia.

Esta caminhada da vida é feita de tudo isto: entusiasmo, alegria, coragem, desilusão, abnegação, fracasso, realização mas, acima de tudo, muita coragem e perseverança e, acreditando sempre, que Deus, Nosso Pai, jamais nos abandonará e, com esta confiança, seremos capazes de enfrentar os problemas com a certeza de que tudo conseguiremos e, apesar dos imensos senãos, ainda estaremos prontos para continuar sempre a lutar pelos nossos ideais.

Sonhar…sempre.

Desistir…nunca.

29/05/2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

São portas…

Abrem-se portas,

Mas logo se fecham.

Quero luz,

Quero sol,

Alegria!...

Escuto, observo…

Sinto o cheiro do ar…

Silêncio…Breu…

Cheira a mofo…

Caminho,

Tropeço,

Caio,

Rasgo a pele.

Levanto-me,

Sigo em frente…

Oiço o murmúrio das águas,

Sinto o cheiro a fresco;

Baixo-me, tacteio e sinto

A frescura da água corrente.


Limpo as feridas,

Lavo meu rosto

Sujo de pó e sangue

De lágrimas de dor.

Prossigo…

Há réstias de luz

Além!...

Ouço o esvoaçar dos morcegos

Arrepio-me…

Respiro fundo…

Descontraio…

Já ouço o trinado dos pássaros!...

A luz penetra a medo

Pelas frestas.

Estou mais confiante;

Avanço!...

E…no limiar deste túnel escuro,

Já vejo o Sol a brilhar,

Os pássaros a chilrear,

A relva verde!...


Nova porta se abre!...

Vou aproveitar

E viver mais um momento

De alegria, felicidade.

Ou, de novo fracasso?!...

De nova desilusão?!...

Não sei, mas quero viver,

Amar, rir,

E, se necessário for,

Continuar a sofrer…

10/06/2010

Maria Carolina Sá

quarta-feira, 5 de maio de 2010

São marcas do tempo…

Abre-se a rosa…

Expõe suas pétalas,

Exala seu perfume,

Como é linda!

Magnífica!...

É beleza, é frescura!...

É símbolo de amor, de Primavera!...

Mas…

As pétalas caem

Murchas, amarelas!...

São pisadas, esmagadas!…

São marcas do tempo!…

Tic…Tac…Tic…Tac…

O relógio não pára…

Tic…Tac…Tic…Tac…

O sorriso esmorece;

As ilusões foram-se;

Uma ruga aparece…

Tic…Tac…Tic…Tac…

São marcas do tempo!...

Páginas vividas,

Sonhos desfeitos,

Amigos ausentes…

Solidão… Angústia… Frustração…

São marcas do tempo!...

A saudade instala-se…

Tic…Tac…Tic…Tac…

O Sol aparece,

As nuvens diluem-se,

A esperança renasce…

Neste Outono sombrio

Ainda há vida…

Ainda há calor…

Ainda se vibra

No meio da dor!...

São marcas do tempo

Em todo o seu fulgor!..

O Sol brilhou,

A chuva caiu,

A tempestade passou…

E, nestes olhos cansados

Nova luz surgiu…

A esperança voltou.

São marcas do tempo!...

Tic…Tac…Tic…Tac…

Mesmo assim quero sorrir!...

Mesmo assim, quero sorrir!


Quando a noite vem,

As trevas me envolvem,

O meu coração grita

E a dor me destrói!...


Mesmo assim, quero sorrir!...


Quando as lágrimas

Me rolam na face,

Os suspiros me abafam,

E a tristeza me corrói…


Mesmo assim, quero sorrir!...


A vida, é maravilhosa!...

Após a tempestade,

Brilhará o sol!...

E, as lágrimas que corriam,

Serão como brilhantes lapidados

Num coração que chora

Mas num rosto que sabe sorrir.

Abnegação

Já várias vezes nos detivemos a meditar sobre a vida.

Ela nos surpreende todos os dias. Só precisamos estar atentos ao que se passa ao nosso redor para depararmos com algo de novo, algo que nos alegra ou entristece, pequenos nadas que ainda nos fazem acreditar que é bom viver.

Mas, quando o desânimo bate à porta e nos sentimos inadaptados a este mundo continuamente em mutação, aí há que apelar para o nosso espírito de abnegação, a nossa coragem e enchermo-nos de uma força sobrenatural para continuarmos a lutar contra os infortúnios que não param de nos assediar.

Se nos revoltarmos, a vida tornar-se-á um inferno quer para nós próprios, quer para aqueles que connosco coabitam.

Começarão as idas assíduas ao psicólogo ou ao psiquiatra, encharcar-nos-emos de medicamentos que nos darão um bem-estar ilusório e passaremos a viver alheados da beleza que nos rodeia. Tudo passará a ser cinzento ou negro, tudo deixará de ter interesse, tudo será de uma monotonia infindável.

As lágrimas cobrirão o nosso rosto, o andar tornar-se-á hesitante, as lindas cores da felicidade desvanecer-se-ão e tudo nos parecerá insípido e vulgar.

Passaremos a detestar esta passagem pelo mundo, maldizendo o dia em que nascemos e tornando-nos um fardo para quem connosco se cruza.

Todos se afastarão de nós pois, tal como a água estagnada e nauseabunda, também nós, passaremos a ser pessoas a evitar.

Assim como o rio corre para o mar atravessando vales e desfiladeiros, ora espraiando-se preguiçosamente nas planícies, ora despenhando-se abruptamente de penhasco em penhasco e, sem nunca desistir, chega ao mar, para nele se fundir e descansar, assim nós devemos enfrentar todas as dificuldades, contornando obstáculos que nos pareciam intransponíveis para em breve nos deliciarmos na alegria de viver ou, quando a nossa hora chegar, fundirmo-nos suavemente nesse mar desconhecido e que tanto nos amedronta mas que, creio eu, nos dará o descanso de uma vida intensamente vivida.

domingo, 5 de julho de 2009

À minha namorada

Bela e airosa
Passaste por mim
Sorriste
E eu, pobre mortal...
Fiquei enfeitiçado
Só em ti pensando
Só vendo teus olhos
Brilhantes
Sorridentes!...
Teus cabelos
Esvoaçantes
Teu riso alegre
Teu ar desembaraçado!...

Tua feição
É para mim
Tão bela...
Tão terna
Tão cheia
De carinho e emoção!...

Passo noites acordado
Só pensando em ti
No desejo que me consome
Na beleza dos teus lábios
Na frescura da tua voz
No teu corpo...
Lindo!... Maravilhoso!...

É assim que eu sonho
Que sofro...
Que rio...
Que vivo...
É e será sempre assim
Minha eterna e doce namorada.

(texto ficcionado de um apaixonado, escrito à sua amada)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ser Amigo (a)

Ser amigo,
É partilhar
Contigo
A alegria de viver!...
É dar
Paz,
Carinho
E amor.

É amar-te
Como tu és.
Com virtudes
E defeitos
E... mesmo assim...
Sentir
Prazer na tua presença
E a magia
Do teu calor!...

É tão bom
Ter um amigo,
A quem possamos
Chamar,
Nos momentos
De alegria
E nos momentos
De dor!...

Ser Mãe!...

Ser mãe
É atingir a plenitude
Da sua missão
De mulher.
Albergar
No seu seio,
O fruto da vida,
O amor mais puro
Que há no seu coração!...

É vida,
Juventude,
Amor,
Doação,
Um grito da vida...
A sua maior emoção!...

É dor,
Alegria,
Luta,
Abnegação!...

É bom ser Mulher...
Mas... ser mãe...
É o preencher
Do seu grande
Coração!...

sábado, 13 de junho de 2009

Ser Feliz!...

Ser feliz
É a vida a nascer
O sol a brilhar
O riso espontâneo
Da criança a brincar...

É luz, é magia,
É o esvoaçar
Hesitante
Da avezinha
Que se lança
Pela primeira vez
A voar... a voar...

É ter a esperança
Num dia de chuva
Que o sol
Voltará a brilhar...

É abraçar a vida
Com amor e carinho,
E ver nos senãos
Um aprender constante
Uma bênção do céu
Para renovar.

Maria Carolina Sá
2009-06-13

Viuvez

Ainda ontem estavas aqui ao meu lado...
Caminhávamos juntos, trocávamos ideias, fazíamos planos...
Ríamos e chorávamos juntos há tantos anos!...
Como foi que partiste?...
Nem tu nem eu nos apercebemos que “ela” espreitava impiedosa a nossa felicidade e, de uma maneira subtil e ardilosa, te levava para sempre!...
Estou só, desamparada, sinto-me sucumbir!...
Queria ter ido contigo, mas... não... eu estou aqui sozinha, perdida, destroçada, sem saber o que fazer!...
Choro, grito, desespero-me, quero-te aqui. Como vou viver sem o teu ombro amigo, o teu carinho?!...
Não sei!...
Sinto-me soçobrar, queria desaparecer, fugir, procurar-te em qualquer lado!...
Mas, ó meu Deus, isso não é possível e tenho de ganhar coragem, enfrentar a vida, ajudar os nossos filhos, vê-los crescer, ensiná-los a ser felizes, fortes e unidos para que a vida lhes seja mais fácil.
Tu foste, partiste... mas sei que estarás sempre connosco pois, o tempo que caminhámos juntos, ensinaste-me os teus valores e eu hei-de ser forte e corajosa para os transmitir aos nossos filhos, aos amigos que partilhámos e àqueles que irão aparecendo na minha vida e me ajudarão a vencer.
Eu sei o quanto tu gostavas de me ver sorrir, de ouvir as minhas gargalhadas, de seres feliz com as minhas vitórias, com o meu sucesso.
Não te vou desiludir, prometo. Vou vestir “uma couraça de protecção”, guardar na minha mente o teu saber e, “juntos” sei que vou vencer.
Sei que estarás sempre comigo embora eu não te veja, não te possa tocar...
Mas, tudo o que vivemos servirá como lema daquilo que planeámos e, se Deus quiser, vou conseguir acabar sozinha aquilo que começámos juntos e lá, onde tu estás, ainda te sentirás orgulhoso de mim.

Esta é a carta que eu gostaria de escrever ao meu falecido marido, que a morte levou tão cedo e que foi para mim o companheiro ideal em todos os aspectos da minha vida. Escrevi esta missiva volvidos 15 anos após o seu falecimento, pois era tudo quanto sentia quando, repentinamente, me vi privada da sua presença.
Que todas aquelas, que perderam o seu companheiro tão violentamente quanto eu, encontrem, nas minhas palavras, algum conforto e coragem para continuarem a vida sozinhas e com alegria.

Maria Carolina Sá
2009-06-12

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Hino ao Amor

Diz-me, meu amor...
Quando se cruzaram
Os nossos olhares...
O meu coração
Bateu mais forte...
O rubor subiu-me
À face...
E, olhando para ti,
Vi aquele que seria
O meu companheiro,
O meu amigo,
O meu amante,
O pai dos meus filhos?!...

Diz-me, meu amor...
Quando foi
Que te vi
Com os olhos
Da alma?!...
Te acariciei
Com o olhar...
Te toquei
E estremeci...

Diz-me, meu amor...
Que magia me tocou
Que brilho
Encontrei em ti
Que beleza
Eu vi
Nesse homem
Que tu és
Talvez vulgar
Para os outros
Mas para mim
Tão diferente...
Tão terno!...
Tão lindo!...

Que dor é esta
Que sinto
No meu coração
Quando estás
Longe de mim?!...
Que angústia
Se instala
No meu peito
Quando penso
Que te posso perder
Quando de mim
Te afastas
Ou teu olhar
Está ausente?

Desconhecia
Este feitiço
Esta dor...
Esta paixão!...
Só sei
Que te amo muito
Que te quero
Que te guardo
Todo em meu coração.

Homenagem ao meu falecido marido José Almeida Alves

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Parabéns

Parabéns!...
Parabéns!...
Felicidades!...
Que tenhas um dia feliz!
Que este dia se repita por muitos anos!
É este o hino à vida!...
É este o nosso entusiasmo por termos vivido mais um ano.
É este o nosso agradecimento sincero à Mãe Natureza por nos ter acolhido nos seus braços e deixar-nos fazer parte dela e, assim, sentirmos o quão belo é viver apesar de todas as dificuldades que tivemos de enfrentar, das noites mal dormidas, das lágrimas vertidas, dos momentos de angústia e desespero, das dores sofridas, da angústia que nos aperta o peito...
Hoje sentimo-nos felizes, acarinhados, lembrados pelos familiares, pelos amigos e até por aqueles que nos invejam.
É hoje o dia do nosso aniversário!...
Aquele dia mágico em que uma MULHER se sentiu feliz, apesar das dores do parto, apesar do incómodo da gravidez.
Aquele dia maravilhoso em que a mulher é rainha e é chamada de MÃE.
Aquele dia em que “cantam os anjos” pois uma nova vida foi entregue à Mãe Natureza.
Parabéns!
Parabéns!
Tal como os sinos anunciam os grandes acontecimentos, também nós ouvimos esta palavra com alegria, mas com respeito.
Estamos felizes por mais um ano de vida.
Recebemos prendas, beijos, carinhos sem fim, porque tudo o que nos rodeia vibra com a nossa presença neste mundo.
O meu dia de aniversário!...
O dia que é meu, pois foi nessa data, há tempos atrás, que dei o primeiro grito para a vida.
E, então, pela grande alegria de viver cantemos sem cessar:

Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida

Tenha sempre do bom
Do que a vida contém
Tenha muita saúde
E amigos também

Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para o(a) “menino(a)”...
Uma salva de palmas.

Beijos!...
Carícias!...
Abraços!...
Festa!...
Alegria!...
Música!...
Sorrisos!...
Gargalhadas!...

Saúde!...
Coragem!...
Força!...
Amigos!...
Esperança!...
Audácia!...
Harmonia!...

Bolos!
Guloseimas!
Champagne!
Velas acesas!
Risos de criança!
Felicidade!

E que esta data se repita por muitos e felizes anos.

8 de Junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009

Viver com Alegria

Viver como?
Se a vida nos depara tanto infortúnio, tanta dor, tanto desalento que, por vezes, nos sentimos impotentes perante as adversidades que nos cercam e nos levam ao desespero, ao desânimo, ao “cruzar os braços” pois, as forças abaladas tornam-nos presas fáceis da depressão, da tristeza, do “viver para quê?”.
Basta-nos, no entanto, olhar para o lado para vermos muitos outros com tantos ou mais problemas que nós, de difícil solução ou até francamente insolúveis.
A vida tem de ser vivida com entusiasmo, com amor e coragem ilimitados, para fazermos das contrariedades aprendizagens e conseguirmos “crescer” com elas, arranjarmos força e energia para lutar e fazer do dia a dia algo de bom, de incrivelmente belo e fascinante, ao ponto de, no sofrimento, encontrarmos alegria, realização pessoal e o gostinho saboroso da vitória perante as adversidades.
Cada dia da nossa vida é uma dádiva de Deus que deve ser vivida em pleno e, quando a noite vem, sintamos o calor das nossas pequenas batalhas ganhas com tanta perseverança, amor incondicional e a satisfação de termos feito o melhor, no meio do turbilhão de adversidades que conseguimos enfrentar.
E... quando as forças fraquejam, paremos um pouco... descansemos o corpo e a mente e observemos a beleza extasiante de uma flor, exalemos o seu perfume, sintamos o suave deslizar dos nossos dedos nas suas pétalas de seda, a beleza estonteante com que ela ( apenas com dias de vida ) se expõe ao Sol resplandecendo feliz e plena de cor nas poucas horas de vida que lhe restam.
Tudo o que a Natureza gratuitamente nos oferece, nos dá a mais bela lição de vida: o esplendor luxuriante dos verdes campos, as folhas caídas e enlameadas no Inverno, a explosão de cor e vida da Primavera e a calmaria quente do Verão. Animais e plantas vivem o seu dia a dia, confiantes no grande poder da Mãe Terra e do momento que passa. Cada dia, cada hora, cada minuto ou segundo, seja por nós transformado em algo de belo, para que o nosso coração esteja disponível para os outros, qual girassol virado para o astro-rei, recebendo o calor dos seus raios, a carícia da brisa fresca, a frescura das gotas de orvalho que a refresca e alimenta e, segurando-se firmemente à terra, quando o vento forte o fustiga ou a chuva impiedosa lhe arranca as pétalas.
A resignação é uma virtude. Mas não façamos dela um mar de lamentações, uma dolorosa e inevitável luta durante a tempestade mas, sim, a força e alegria da vitória contra os múltiplos problemas que nos surgem.
Não passemos os dias angustiados a pensar no que pode acontecer amanhã, no futuro que desconhecemos ou imaginando fracassos e calamidades. Vivamos um dia de cada vez, intensamente e sempre como se fosse o último das nossas vidas. Assim conseguiremos resolver os problemas com mais calma, mais saber e sem a frustração de nunca atingirmos uma felicidade imaginada, mas inacessível, que só nos trará desalento e desilusão!...
Sintamo-nos felizes com aquilo que vencemos hoje e preparemo-nos confiantes no que tivermos de enfrentar amanhã.
A vida é uma aprendizagem constante e só com optimismo faremos dos momentos maus, menos maus; dos bons, óptimos e dos realmente agradáveis e felizes o culminar da beleza das nossas almas resplandecentes perante a alegria de viver.
Coragem, muita coragem!...
Abnegação e amor infinito!...
Amarmo-nos a nós próprios com todas as nossas limitações, mas com o poder incalculável da vontade de vencer.
E... viva a alegria, a coragem, o amor sem limites e a inabalável vontade de vencer.

2007-01-08

Maria Carolina da Silva Cardoso e Sá

Chegou o Inverno


Árvores despidas,
Seus ramos esguios
Erguidos para o céu
Num acto de reflexão,
De amor!
De agradecimento...
Ao Deus Criador!

Caem as chuvas copiosas
Inundando o chão,
Mas, crescendo nos rios,
Nas fontes,
Nas nascentes refrescantes
Que brotarão
Matando a sede
Ao viajante incauto
Que desce a estrada desta vida
De dor, sofrimento,
Muita alegria!
Muita frustração!

Cobrem-se de neve
Os campos extensos...
Os dias são frios
Escuros, fugazes...
Mas, mesmo assim,
Ainda há flores
Que brotam viçosas
Nos belos jardins
E no meu coração!

Tudo parou!...
Um certo silêncio!...
Uma leve inquietação!...
As noites são longas,
As forças vacilam,
Mas, aqui e ali,
Ainda há vida
Escondida, é certo...
Mas com uma força
Brutal, impiedosa,
Qual vulcão
Ainda dormente,
Mas esperando
Com paciência
Pelo momento certo
Da sua explosão!...

Felizes dos que vivem
As quatro estações
E as podem desfrutar
Rodeados de amigos,
De entes queridos,
Do amor sem limites
Daqueles que vão...
Mas brota outra vez
Nos que vão nascendo
Aparecendo para a vida
Dando-nos amor
Cuidando de nós
Neste fim de vida
Neste Inverno frio
Onde ainda brilha o Sol,
O calor da lareira,
O brilho da neve
Que cai em flocos
Desfazendo-se no chão.

É assim a vida!
Mesmo na velhice
Podemos ainda
Sentir o calor
Do Sol de Inverno
Do amor inequívoco
Dos entes queridos
Que ainda nos dão
Afagos! Carinhos!
Consolo! Abnegação!

E como uma árvore morta
Mas ainda de pé
Oca, esburacada,
Seus ramos vazios
Sem folhas
Sem frutos
Ainda servem de abrigo
Aos animaizitos
Que se abrigam famintos
Das tempestades
Do frio...

E sentem conforto
No abraço amigo
Do tronco vazio
Da mente cansada
Das palavras sem nexo
Mas do sorriso presente
Da lágrima que cai
De alegria!
De emoção!

Tudo se esfuma!
Tudo se apaga!
Mas fica sempre
A recordação
Da avó velhinha
Sentada à lareira
Parecendo já morta
Mas que deu muito amor
Muita atenção
E ficará para sempre
Como o dia que surge
Nos ensinamentos
Nos pequenos nadas
Que fizeram
Uma vida plena
De momentos de sim... De momentos de não...