terça-feira, 27 de setembro de 2011
A ternura do amor
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Póvoa de Encantos Mil
Tricana Poveira
Hino à Póvoa
Sonhos Brancos
Sonhos
sábado, 17 de setembro de 2011
Um raio de luz
Mar... Doce mar...
sábado, 13 de agosto de 2011
Deixa-me Rir
Deixa-me rir
Daquele que passa
Empertigado
Tão cheio de graça
Pensando que os outros
O vão adorar.
Deixa-me rir
Deste mundo infame
Carunchoso e podre
Prestes a ruir
E daqueles que pensam
Ter o poder nas mãos
Mas ocos, vazios,
Numa angústia atroz
Se passeiam ufanos
Espalhando a dor
Destruindo famílias
Desprezando os velhos
Semeando desgraça
Fomentando rancor.
E, nesta vida,
De ilusão constante
Vou rir,
Para não chorar
De tanta farsa
Tanta hipocrisia
Tantos corações
Prenhes de riqueza
Vazios de alegria
Passeando ufanos
Querendo mostrar
Tesouros acumulados
Mas sem nada,
Mesmo nada,
Para partilhar.
Maria Sá
7/7/2011
Ver video de declamação do poema no Sarau de Poesia
Meus Castelos de Areia...
Meus castelos de areia construí
Neles, fui princesa...
Deles, fui escrava...
Sonhei!...
Criei histórias deslumbrantes!
Mas... Que é deles?!...
Ruíram...
Pouco sobrou!...
Apenas lembranças...
Onde estão os meus sonhos?!
Onde ficou todo o carinho,
Todo o amor,
Toda a ternura,
Que neles depositei?!
Onde pairam as flores que plantei?!
O céu azul que eu pintei?!
Foram-se!...
Desfizeram-se!...
Só restam recordações!...
Nada mais!...
Eram lindos os meus castelos!
Oh! Como eram lindos!
Mas...
Só restam escombros!...
Só resta a saudade!...
E... uma forte vontade
De os refazer.
Mas... não de areia...
De pedra e cal
Para durarem
E ainda trazerem
Alegria e paz
A este coração cansado
De tanto dar
E pouco ou nada receber.
Maria Carolina Sá
15/06/2007
Sarau de Poesia
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O céu do meu penar
Quando a noite cai
As trevas me envolvem
O silêncio se torna insuportável
As lágrimas rolam
As forças se esvaem
E tudo se torna negro e frio…
Pego em tintas e pincel
Pinto estrelas no céu
Desenho uma lua redonda
E, na janela do meu ser,
Começa de novo a surgir
O meu sorriso dormente
E o luar a inundar
As trevas do meu olhar
Suavizando docemente
Esta agonia latente
Que me vem atormentar.
E, nessa noite sem fim,
Em que me sinto a agonizar
Surge a madrugada airosa
Pintando de cor-de-rosa
Esse céu do meu penar.
E de novo canto e rio
Dançando no firmamento
Que era negro e sombrio
Mas que o luar iluminou
E o Sol, com o seu poder,
Maria Sá
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Muito obrigada, meu Deus
A Ti, que por mim zelas,
Eu quero agradecer
Toda a vida que me deste
Todas as gargalhadas que eu dei
Todas as lágrimas que chorei
Todos os momentos que vivi
Todos com quantos me cruzei
E com eles aprendi
Pela família onde nasci
Pela educação que me deram
Pelo muito que sofri
Pelas sementes que semeei
Pelas pessoas que encontrei
Por todas as que me ajudaram
Por aquelas que me invejaram
Por todas as que me maltrataram
Um obrigada Te dou.
E, como sempre acreditei,
Na tua poderosa afeição
Com muita humildade aceitei
E com muita resignação
Todos os momentos da vida
Que me permitiste viver
E com eles aprender
A ser a mulher que hoje sou.
E, com toda a gratidão,
Desta vida tão plena
De alegria
Dores
Sentimentos e emoções
Momentos de euforia
E de sofrimento atroz
Me ajoelho a Teus pés
E grito a plenos pulmões
Muito obrigada, ó Meu Deus.
Maria Sá
1/8/2011
Neblinas matinais
Acordo!...
O mar calmo e imenso
De um cinza prateado
Envolto em neblina
Espera por mim.
Ao longe, nos rochedos,
Descansam as gaivotas
Salpicando a penedia
Envolta em branca espuma
Destas ondas caprichosas
Que brincam em cabriolas
Por entre as rochas escuras
Qual criança inocente
Mas bastante irreverente.
Pouco a pouco
O Sol brilha
Rompendo com o seu calor
A densa bruma cinzenta
Que mantinha este mar
Num sono acolhedor
Como que a chamá-lo baixinho:
São horas de acordar…
Abre os olhos de mansinho
E se vai espreguiçando
Neste imenso areal…
E com ternura e carinho
Vem beijar a bem amada
A linda areia dourada
E o Sol, com o seu calor
Vem despertar o amor
Dos amantes enlaçados.
Maria Sá
O feitiço da Póvoa
Será o teu mar imenso
O anilado do teu céu
As gaivotas a voar
O teu cheiro a maresia
O pescado fresco a saltar
As varinas a apregoar
Que sempre me encantaram
E me fizeram cá voltar?
Será este areal sem fim
O nevoeiro matinal
Este mar que ora é lago
Ora é fera indomável
Que em espuma se desfaz
Galgando o imenso areal
O vento Norte impiedoso
Que quase me faz tombar
Me irrita e me atrai
E sempre me faz voltar?
Diz-me, Póvoa,
Que feitiço tu escondes
Que ora amo, ora odeio,
Que com a tua doçura
E com o lindo pôr-do-sol
Me atrai e me seduz
Para eu sempre cá voltar
Para eu viver da tua luz
Da beleza do teu mar
E a felicidade encontrar?
É esta paixão que sinto
Por esta terra de extremos
Onde me deixo embalar
Qual barco a navegar
Ou, que em dias de tormenta,
Me obriga a enfrentar
Com coragem e ousadia
Esta vida de emoção
Esta luta do dia a dia.
Maria Sá
1/8/2011
sábado, 2 de julho de 2011
Momentos de felicidade
Que lindo é o mar
No seu azul sem fim!...
Algas, corais, peixes, conchas,
Numa beleza sem par!...
E, no lindo céu azul,
Mil gaivotas a voar.
Como é bom vê-las tão calmas
No seu voo planado;
Com olhos fixos no mar
E, em seus voos picados,
Mais um peixito encontrar.
É luz!
É cor!
É beleza natural!
Felicidade encontrada
Na beleza das gaivotas
E no anil do mar.
Vida simples, sem ambição,
Sem vaidades, nem esplendores;
Espraiando o nosso olhar
Ouvindo o mar nos seus rumores.
Como é bela a natureza!
Quanta cor
Quanta alegria
Poderemos encontrar
Se pararmos para reflectir
Se pararmos para olhar
E ver, em nosso redor,
Este mundo de magia
Esta beleza do mar!...
29/06/2011
domingo, 10 de abril de 2011
O SOL DAS NOSSAS VIDAS
_ Mãe! Mãe!_ grita a pequena Joana.
A mãe acorre aflita pois aquele grito é de dor, de aflição. Pega na Joaninha, limpa-lhe o joelho ferido, fala-lhe com carinho enquanto vai buscar o desinfectante e, explicando-lhe que vai arder um bocadinho, faz-lhe o tratamento. Por fim, dá-lhe uma beijoca na face rechonchuda e cheia de ânimo, diz-lhe:
_ Pronto, Joana. Já estás outra vez nova para brincar. Vai, que isso já passa.
……………………………………………………………………………………….
A Joaninha cresceu, tornou-se mulher.
Sente-se só, triste, desamparada. Já não é a Joaninha rechonchuda. O seu corpo vai ganhando forma e ela acha que já não deve chamar a mãe. Está alta, esguia, o seu corpo sofre transformações que nem ela própria compreende.
_ Já sou mais alta que a minha mãe?!
Aquela cabecita efervescente é como um vulcão prestes a explodir. Vai para junto do espelho e há que experimentar todas as maquilhagens, todos os penteados e, quando a mãe vem e lhe diz que exagerou no baton, ela vira as costas e, indignada, grita:
_ Deixa-me em paz! Ufa!
E, de amores e desamores a vida vai-se desenrolando...
……………………………………………………………………………………….
Joana cresceu e já vai casar. O primeiro filho aparece e a mãe tenta ajudar...
Joana cansa-se. Já está farta de aturar a mãe...
E, todos nós já sabemos as alegrias e tristezas que esta relação tão íntima vai gerando.
No entanto, se observarmos a Natureza, veremos como tudo se devia processar.
O Inverno está a acabar...
O Sol, que muitas vezes se escondeu por trás das nuvens, começa a brilhar com mais intensidade e as sementes germinam, crescem e, em breve, se transformam numa bela planta.
As flores desabrocham em múltiplas cores.
O Sol aquece mais e afaga-as com seu calor morno. Em breve brotarão os frutos e, com mais intensidade, ele incide seus raios para os amadurecer. Quando os frutos estão suculentos, prontos para gerarem novas vidas, o astro rei abranda os seus raios e começa a esconder-se por trás das nuvens. Vai dando lugar aos ventos, às chuvas, às tempestades. Aparece de vez em quando, a aquecer as árvores quase despidas. Mas, cada dia, se afasta mais. Já só aparece de vez em quando. Mas, está lá, tentando passar desapercebido.
Quando a terra está ensopada pelas águas das chuvas ou coberta de neve, lá vem ele e, com seus raios quentes, acalentando-a novamente para que o ciclo da natureza se cumpra.
Sejamos nós também como o Sol da vida dos nossos filhos, mas sabendo-nos esconder por trás das nuvens, quando é preciso. Estamos lá vigiando com prudência mas sem incidir nossos raios fortes assiduamente.
Deixemo-nos estar lá, pacientemente, deixando os nossos filhos percorrer a vida deles. Não os abafemos com o calor excessivo do nosso amor, pois corremos o risco de os transformarmos num deserto árido.
Habituemo-nos a observar a Natureza para transpormos para a vida todo o seu saber.
Sejamos o sol da vida dos nossos filhos, mas não os sufoquemos. Eles precisam de crescer e enfrentar as tempestades da vida e aprender a sobreviver a elas.
Tenhamos a coragem de os ver sofrer, para termos a alegria de os ver vencer.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A FLEXIBILIDADE DO BAMBU
Nos tempos que correm, esquecemo-nos frequentemente que somos uns meros membros da Natureza.
Tenhamos a flexibilidade do bambu e o seu bom senso para nos agruparmos, criando elos indestrutíveis e que, só em caso de violentas tempestades nos poderão arrancar.
O bambu é frágil, mas extremamente maleável. Curva-se em reverência quando os ventos sopram fortes e apoia-se suavemente no colo dos seus irmãos para, em conjunto, resistir às tempestades.
Criemos famílias sólidas, com elos de amor e, veremos os débeis “bambus” que nós somos, a resistir inabalavelmente às situações mais críticas e desconfortáveis que a vida nos proporciona.
Juntemos também os bons amigos, aqueles que estão connosco (quer nas horas boas, quer nas más) e plantemos nos jardins das nossas vidas, “os bambus” que nós iremos proteger pela vida fora e que também nos protegerão quando essa ajuda solicitarmos.
Na nossa prepotência de homens modernos, pensamos que, com a ciência, tudo podemos fazer.
Mas, a Mãe Natureza, com todo o seu amor mas com a mão firme de uma verdadeira mãe, lembra-nos, atempadamente, que nos pode destruir se não a respeitarmos. Cada vez são mais frequentes os desastres ecológicos, a irreverência dos cataclismos climáticos, a destruição total ou parcial de cidades inteiras em que “Ela” nos mostra o seu pulso de ferro.
Seguidamente e, como qualquer mãe que se preza, vem acalentar-nos com o calor morno do sol, a beleza do céu azul, a suavidade das suas águas correntes e o perfume das suas flores.
E que fazemos nós, pobres e irresponsáveis mortais?
Ao contrário de aprendermos com os nossos erros, vamos uma vez mais, desesperar a sua infinita e maternal indulgência, passando por cima de tudo e de todos, para satisfazermos insaciavelmente o nosso egoísmo, a nossa sede de ambição e tirania.
Mas… a paciência tem limites e, não será de admirar que, num futuro não muito longínquo, ela chegue à conclusão que não somos dignos do seu afecto, do seu respeito e, muito menos do seu amor inesgotável que tão gratuitamente nos oferece.
Habituemo-nos a meditar uns minutos por dia nesta verdade que tentamos ignorar e, tenho a certeza que a felicidade que todos buscam sem cessar, passará a fazer parte do nosso dia a dia, tornando tudo mais harmonioso e duma beleza sem par.
9/10/2010
Maria SáAntes e... Depois
Sempre fui fascinada por decoração. Acho lindo darmos “alma” ao nosso lar, nem que seja uma simples barraca.
Na SIC MULHER há um programa fabuloso “Querido, mudei a casa” onde se fazem maravilhas com a decoração. E, o programa, acaba com antes e depois.
Creio que os fãs deste programa ficam encantados com o resultado final.
No entanto, ponho-me a pensar se estamos a fazer o mesmo com a nossa vida.
O Homem, através dos tempos, sempre tem tentado evoluir e fazer com que o “depois” seja sempre muito melhor que o “antes”.
Agora, neste momento, em que já me encontro no Outono da vida, reparo, com amargura, que o “depois” está a ser mil vezes pior que o “antes”.
Se a paciência não vos falta, meditem comigo:
“Antes”: as crianças e os jovens eram educados a respeitar os mais velhos, a terem comportamento exemplar quer na rua, quer no aconchego do lar.
“Depois”: A grande maioria das crianças não têm qualquer respeito pelos pais e, muito menos pelos avós, pelos vizinhos, pelos professores, enfim, por nada nem por ninguém.
“Antes”: Os jovens estudantes eram preocupados com o seu vocabulário, raramente se ouvia um rapaz a dizer um palavrão junto das meninas e, as raparigas do meu tempo, tinham um comportamento recatado e um vocabulário cuidadosamente elaborado.
“Depois”: Os grupos de jovens já não sabem exprimir-se sem os ditos palavrões e, as meninas, fazem jus ao seu pobre vocabulário e, acham até, que seria um contra-senso não aplicar essas palavras hediondas, pois não seriam as futuras mulheres independentes e com todos os direitos inerentes ao século XXI.
Que tristeza!...
Que aberração!...
“Antes”: os homens adultos coibiam-se de aplicar certos termos em frente de uma senhora.
“Depois”: eles usam os termos mais sórdidos para se exprimirem e perderam o encanto de serem corteses junto das suas mulheres. Bem, devo confessar que não é de admirar, pois elas, na sua modernidade, são incapazes de respeitar os seus companheiros.
“Antes”: as meninas eram ensinadas desde pequeninas a costurar, a cozinhar, limpar a casa, bordar e muitas outras coisas que iriam contribuir, mais tarde, para o bom funcionamento do lar.
”Depois”: as miúdas já não sabem pegar numa agulha, cozinhar também não é preciso pois vai-se ao take-away, limpar a casa, só se não houver quem o faça, pois, as mães, passaram de educadoras a empregadas dos filhos. E bordar?! O que é isso? Uma coisa dos outros tempos e que seria absolutamente ridícula nesta sociedade do século XXI.
Poderia ficar aqui a dissertar por horas a fio mas, creio que estes poucos e simples exemplos, já sejam suficientemente esclarecedores sobre a sociedade que estamos a construir.
Os nossos antepassados esforçaram-se por nos passarem os seus valores morais. E, que fazemos nós?
Abdicamos do nosso dever de educadores, passando para os meios áudio visuais essa missão ou convencemo-nos que, na escola, eles aprenderão tudo. Não sem lembram, porém, que os professores têm um programa para dar e dele não faz parte a boa educação. No entanto, honra seja feita aos professores que ainda conseguem despender do seu tempo para conseguirem transmitir aos seus alunos alguns comportamentos básicos da boa educação.
Lamentavelmente depressa são esquecidos ou, pior ainda, vêem os encarregados de educação tirar satisfações com o professor, pois está a insinuar que eles não sabem educar.
Enfim…é este”depois” que estamos a ter e que me faz ficar apreensiva em relação aos meus netos que, graças a Deus, ainda vão tendo um comportamento bastante satisfatório. Mas, que companheiros irão encontrar no futuro para formarem os seus lares? Ou qual vai ser o nível de educação deles quando se embrenharem numa universidade e deixem de ter a atenção dos pais?
Sabemos, por experiência, que se pusermos uma maçã podre à beira das sãs, em poucos dias todas estarão podres. Será isso que irá acontecer aos meus netos e aos netos de todos os avós deste país?!...
Triste realidade!...
Antes…
Depois…
Esperemos que, tal como no “Querido, mudei a casa” o “depois” seja bem mais belo que o “antes” pois, caso contrário, a sociedade vindoura odiará os educadores que tiveram e não os souberam preparar para a vida.
Maria Sá